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Festival costumava ser onde o conteúdo chegava depois de pronto. Hoje é onde ele nasce, viraliza e vende antes da estreia. A CCXP, criada em dezembro de 2014 pela Omelete Company, transformou uma convenção de cultura pop em uma máquina de reveals, hoje reúne cerca de 120 marcas por edição e é onde estúdios e streamings preferem estrear trailer, elenco e painel a fazer coletiva de imprensa tradicional. A Sato Company levou essa lógica para dentro de casa: o Ghibli Fest, evento próprio de re-estreia nos cinemas, já trouxe mais de 20 filmes do Studio Ghibli de volta às salas brasileiras, sustentado por uma base de fãs que a distribuidora cultiva ano a ano em convenções como Anime Friends e Carioca Matsuri, sem depender de nenhum festival de terceiros.

O Rio2C foi na mesma direção, mas por um caminho distinto: em vez de uma marca construir seu próprio festival, o mercado construiu um festival só seu. Nascido em 2010 como Rio Content Market, focado no audiovisual, o evento se reinventou em 2018 como Rio2C, ampliando o escopo para música, games, moda e tecnologia. A edição de 2026, a maior da história, reuniu 55 mil pessoas ao longo de seis dias na Cidade das Artes, com Netflix e Disney+ lado a lado defendendo mais investimento em produção brasileira. O evento também já embutiu a festivalização dentro de si: a Festivalia, fim de semana aberto a estudantes e jovens profissionais, mistura workshops, masterclasses e experiências de marca, o mesmo playbook de CCXP e Ghibli Fest, só que operado por quem organiza o mercado, e não por uma distribuidora ou estúdio isolados.

Este painel senta quem constrói e distribui esses formatos por dentro, Omelete/CCXP, Sato Company e Rio2C, para debater se a festivalização é o novo padrão de lançamento de conteúdo ou um modelo caro demais para existir fora de uma major de estúdio, de uma plataforma bilionária ou do próprio mercado organizado. Para o setor de distribuição, a pergunta é prática: se o público já espera trailer com pirotecnia, painel com elenco e fila de madrugada, o que sobra para o lançamento de um filme ou série sem orçamento de festival?