O Brasil tem mais de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, cerca de 8,9% da população, segundo dados do IBGE. A ordem de grandeza da renda anual movimentada por esse mercado gira em torno de R$ 110 bilhões, e esse número não representa só a renda das próprias pessoas com deficiência: representa a cadeia toda que as acompanha até a sala de cinema, cuidadores, amigos e familiares incluídos. Cada cadeira vazia por falta de acessibilidade custa, na prática, mais de um ingresso.
Em 2023 entrou em vigor a Instrução Normativa nº 165/2022 da ANCINE, que estabelece regras gerais e critérios básicos de acessibilidade visual e auditiva para distribuidoras e exibidoras em toda sessão comercial de cinema, com os artigos 3º e 4º em vigor a partir de 2 de janeiro daquele ano. Ainda assim, a Expocine 25 já mostrou, em painel sobre o tema, que as salas brasileiras têm essas ferramentas e ainda falham em comunicar isso ao público. Este painel pega esse debate e muda o ângulo: em vez de tratar acessibilidade como obrigação legal ou pauta social, trata como pergunta de negócio. Quanto o cinema deixa de faturar, e de fidelizar, ao não converter esse público em espectador recorrente?
A conversa reúne quem já colocou a acessibilidade dentro do modelo de negócio (Paris Filmes, pioneira em oferecer recursos em 100% do line-up), quem enxerga o tema como consumidor, especialista e empreendedor ao mesmo tempo (Cid Torquato), e quem acompanha de dentro do órgão regulador a aplicação prática das normas de acessibilidade no setor (Renata Del Giudice, ANCINE).